•   Novidades   •   Downloads   •   Forum   •
Menu
· Minha Conta
· Cadastro
· Arquivos
· Regras
· Serviços
· Sistemas
· Staff
· Contato
· Entrevistas
· Aventuras
· Nossa História
· Eventos
· Dungeons
· Classes de Personagens
Servidor
· Ranking
· Jogadores Online
· Guildas
· HellFire Shop
· Informações Tecnicas
· Status Três Selos
Áreas, Itens e NPCs
· Áreas & Misc
· Itens
· NPCs
· Pets
Skills
· Action
· Combat Ratings
· Lore & Know.
· Miscellaneous
Tutoriais
· Comandos Básicos
· Iniciante
· Subindo Status
· UO Chat
Tabelas
· Alquimia
· Blacksmith
· Carpintaria
· Créditos Virtuais
· Lumberjacking
· Mining
· Pontos
· Tailor
· Tinker
 
 

E era noite; não haviam luzes acesas. Todos que havitavam a cidade dormiam, e todos os seus animais, e os animais que viviam pelas ruas. O céu era claro e sem nuvens, e a lua era a única luz.

Ao meio da madrugada, o jovem Alexander ouve algo e acorda assustado. Olha ao redor e não há nada. Não muito podia ser visto em meio a escuridão de seu quarto, mas ele volta a dormir. Logo em seguida, já quase devolta à seu sono, ele sente a presença de alguem ao lado de sua cama, como se pudesse sentir o calor do corpo ou o vento da respiração. Tomado pelo medo, ele não consegue virar-se para ver, nem sequer falar, ou mexer-se na cama. Passa-se alguns minutos, e o medo diminui. Alexander vira-se para o lado para ver, mas não há ninguem. Mal podia-se ver dentro de seu quarto, mas ele estava assustado demais para levantar-se e ter certeza que não havia ninguem ali.
Procurando com os olhos por debaixo de seu cobertor, nada vê. Mas então ouve-se uma vóz, e era vóz de homem velho, já na idade de pai. E a vóz falou uma vez: "Onde está minha espada...". Alexander é tomado pelo pânico, pois agora tinha certeza de haver alguem consigo. E sentiu sua pele ficando dormente, e sua visão ficando clara pelo medo, e nada fazia além de aguardar que alguem saísse da escuridão a seu encontro.

A vóz repetiu-se em outro lugar, no escuro, dizendo desta vez: "Preciso encontrar minha espada...", e em seguida: "Meu escudo! Onde está? Há alguem me ouvindo?". Alexander não responde e fecha os olhos. Com os olhos fechados, ele ouve passos pelo quarto, e os passos iam para longe e voltavam, e não se cessavam, como os passos de alguem procurando por algo. Então Alexander abriu seus olhos, e viu apenas escuridão, e não ouvia mais a vóz, nem os passos, nem sentia mais haver alguem consigo.

Então, olhando reto para o lado de sua cama, ele vê uma imagem vindo a seu encontro. E era a imagem de um homem, já na idade de seus pais, e tinha cabelos brancos, e seus cabelos eram longos. Ele vinha andando sem equilibrio, e não coordenava-se bem. Ele veio devagar pela dificuldade em andar, aproximou-se de Alexander, e perguntou: "Vistes minha espada?". Alexander não podia responder de medo, e o homem o tocou no ombro para que lhe respondesse, e perguntou: "Estás acordado? Preciso encontrar minha espada, e meu escudo.". Alexander não podia o ignorar, e respondeu: "N-n-não sei do que falas. Não tenho sua espada, ou seu escudo. Vá-se embora!". O homem então olha para o lado e diz: "Ah, eis aqui meu escudo.", e abaixa-se ao chão e levanta-se com seu escudo no braço esquerdo. E era um escudo de madeira, sujo de barro, e derramava pó pelo chão. Alexander então nota que o homem era um soldado, vestido de couro e cinturão. E seu escudo era velho, com marcas de flechas e cortes de espada. Mas ele o empunhava com segurança, e sentia-se bem com o escudo em seu braço.

Novamente, o soldado perguntou a Alexander: "E minha espada?". Alexander ainda sentia medo, mas respondeu-o: "Não ouviu-me? Não tenho sua espada, nem sequer conheço-te. Por que achas que a tenho?". E o soldado respondeu, com a vóz desajeitada: "Eu vivo aqui. Esta é minha casa.". Alexander respondeu: "Moro aqui des de menino. Nunca te vi, nem em minha casa, nem pela cidade. Estás na casa errada.". E o soldado insistiu: "Eu moro aqui, você é quem está enganado. Preciso de minha espada, e procuro quem vá comigo.". Alexander: "Ir contigo? Para onde?", e o soldado responde: "Onde está meu capacete? Não posso ir sem um capacete.". E então o soldado sai procurando, e sai do quarto de Alexander, e deixa a casa indo pelas ruas. Alexander olha pela janela e o vê em meio a escuridão, e grita: "Eu faço-lhe um capacete, mas diga-me onde irás!". E o soldado não o dá atenção, e continua andando até que some pelas ruas.

Alexander corre e tranca as portas da casa, e tranca-se em seu quarto, e fecha a janela, e amarra-a com cordas. Então acende uma vela para que veja em seu quarto, e não havia espada ou capacete, mas apenas o pó deixado no chão pelo escudo do soldado. Alexander pensa em sair a procura do soldado, mas volta a dormir, e mantém a vela acesa.

Pela manhã, Alexander acorda, e anda por sua casa, e procura por uma explicação, ou alguma pista. Mas não há nada. Ele então desamarra sua janela e olha por ela, e ve a direção que o soldado seguiu, corre então para a rua e segue nessa direção, mas o caminho leva apenas ao mar, e à areia da praia.

Ele volta a cidade, e vai ao artezanato onde sua mãe trabalha. E lá estava ela, trabalhando do lado de fora, pois o dia era claro, e havia um vento agradavel. Ele senta-se com sua mãe e começa a contar-lhe toda a história sobre a noite passada, e sobre o soldado que o visitou. A face de sua mãe muda, e parece preocupada, mas não assustada. E ele prossegue até o fim, e até o fim sua mãe não o interrompe. Então, ela o diz:

- Alexander, qual era o nome deste soldado?
- Não sei, não perguntei-o seu nome. Por que?

Ela pára e pensa por alguns segundos, e sua face enche-se de surpreza. Alexander calado aguarda que sua mãe diga algo. Então, ela diz:

- Filho, sabes quantos anos tenho?
- Sim, como não? Tens 39 anos.
- Alexander, este homem, o soldado, disse-o para onde ele ia? Ou o que ele fazia aqui?
- Não. Eu o perguntei, mas ele partiu sem que eu soubesse.
- Partiu para onde?
- Para a estrada estreita ao sul. Fui lá, não há nada além do mar.
- Filho, o que disse-lhe este homem sobre de onde ele veio?
- Disse-me que mora em nossa casa, e que sempre viveu lá. Mas nunca o vi, nem sequer pela cidade.

Alexander olha para sua mãe, e ela olha em direção ao caminho estreito que leva ao mar, e diz:

- Acompanhe-me. Lhe contarei uma história.

Os dois levantam e andam pelo caminho ao sul, que leva a praia. E há uma pedra sobre a areia, embaixo de uma árvore. E não vê-se ninguem por perto, e há apenas o som do vento, e do mar, e dos pássaros sobre o mar. Alexander olha em volta procurando pelo soldado. Sua mãe vai em direção a pedra abaixo da árvore, bota sua mão sobre ela, e fecha os olhos. Alexander aproxima-se dela e pergunta:

- O que há com esta pedra?

Sua mãe senta-se sobre a pedra, e puxa seu filho Alexander para que sente-se com ela. E começa a falar-lhe:

- Você não conhece a história de nossa cidade, pois ela nunca foi escrita. E há uma razão por que ela nunca foi escrita. Mas vou contar-lhe.

Alexander ouve atentamente, e sua mãe começa:

- A pouco mais de três séculos atráz, nós viviamos ao norte, em uma grande cidade, onde havia muitas pessoas, e todo o tipo de produtos da terra ou do mar, e produtos das mãos dos homens, e produtos feitos de produtos das mãos dos homens. E mercadores de todas as regiões vinham a nossa cidade para vender seus produtos, e para comprar. E muitos vinham do ocidente, e do oriente.

- Aos poucos, alguns cresceram, e construiram grandes propriedades, e contrataram para sí empregados. E mais eles cresciam, e multiplicavam suas riquesas. E assim a cidade cresceu.

- Passaram-se os anos, e seus empregados tornaram-se dependentes de seus senhores, e os filhos de seus empregados, e as mulheres de seus filhos. E assim a cidade continuou a crescer.

- Não levou muito tempo para que os coração dos grandes se endurecessem. Por suas mãos e pelas mãos dos que os serviam, o mal começou a ser feito pela cidade. Mas a cidade crescia cada dia mais, e a cada dia mais e mais vinham do ocidente e do oriente.

- Alguns anos se passaram, e nossos pais se reuniram. Reuniram-se secretamente, e conversaram sobre o futuro de seus filhos, e dos filhos de seus filhos. Lembro-me estar com meu pai e com minha mãe. E em todas as déz reuniões eu estava lá, entre outras vinte famílias.

- Na primeira reunião, minha mãe levantou-se e falou a todos, e todos a ouviram. Ela os disse sobre a árvore que se entorta ao crescer, e quando muito cresce não pode mais ser endireitada. Todos a ouviram, e outros falaram, e tambem foram ouvidos. E depois de ouvir a todos, cada um deu seu voto. E então, naquela noite, foi decidido fundar uma nova cidade, para o bém de seus filhos, e os filhos de seus filhos.

- As próximas seis reuniões foram para decidirmos o que fazer, para onde ir, e como viver de forma que o mesmo destino não se repetisse. Mapas foram tragos e todos deram seu voto, e após os votos que escolheram a região, mais votos escolheram um local dentro da região.

- As duas reuniões seguintes foram para decidirmos como partir, o que levar, e como se acampar no local. E na décima reunião, todos já estavam prontos, e de lá partiram durante a noite, ao sul, para a margem do mar e do rio que desagua no mar.

Alexander, surpreso, interrompe-a e pergunta:

- E quanto tempo passou dês de que partiram do norte?
- A tresentos e déz anos.

Alexander pára e pensa por alguns segundos, e diz:

- E como estavas tú presente nas reuniões?

Sua mãe prossegue, como se continuasse a explicar para que Alexander entendesse:

- Quando saímos durante aquela noite, alguns olharam por suas janelas, e nos viram ir em direção ao sul. Sem saber do que se tratava, retornaram as suas casas, e nos deixaram ir em paz.

- Foi uma caminhada de desesseis dias. E ninguem se desviava, ou retornava. E ninguem era deixado para tráz. Ao chegar ao lugar escolhido, havia terra para se plantar, e animais por todo lugar. Nada precisamos que não havia sobre a terra, ou debaixo da água.

- Então, dividimos o povo em três grupos: Os que iam plantar e colher e cuidar dos animais, os que iam cortar madeira e fazer barro para as casas de todos, e por fim os que iam construir os muros da cidade. Em alguns meses havia casa para todos, e havia plantações e criações de animais para todos. O muro da cidade foi erguendo-se aos poucos, e era o trabalho maior.

- Em dois anos, o muro foi completo, e as ruas da cidade eram feitas de pedras, e possuia-mos uma grande igreja, onde também nos reunia-mos para tomar as decisões importantes da cidade, e para as celebrações de nosso povo.

- Todos estavam felizes com o futuro, e com o futuro de seus filhos. E leis foram feitas para que não se repetisse a história de nossos irmãos.

Alexander pergunta:

- E és esta a cidade? És este o local que tu me falas?

Sua mãe responde e continua:

- Sim, aqui. Eu ajudei minha mãe a cuidar dos animais. Meu pai trabalhou no muro da cidade. Nossa casa nós mesmos construímos com o material que era dado a nós. Cada um construiu sua própria casa, no tempo em que não estava trabalhando para a cidade.

Mais uma vêz, Alexander não compreende e pergunta:

- Como esteves presente na fundação da cidade? E como sabes de tudo isso se nada está escrito?
- Sei pois estive lá. Filho, eu sim tenho trinta e nove anos. Continuarei e tú entenderás. E saberás quem é o homem que veio a tí esta noite, e o que ele busca.

E sua mãe prossegue:

- Alguns anos se passaram, e vieram do norte viajantes de passagem, e viram a cidade, e entraram para abastecerem-se. E trouxeram notícias de que a cidade que deixamos para tráz estava em crise, e muitos não tinham o que comer. Aos poucos, mais e mais vieram do norte. Alguns desejaram ficar, mas outros vinham com o coração endurecido, e não aceitavam as leis de nossa cidade, e retornavam ao norte.

- Os anos passaram-se, e um dia um dos nossos veio de retorno do norte trazendo noticias de que um exército se preparava para invadir nossa cidade, e que os muros da cidade não os conteriam por muito tempo. Todos ficaram assustados com as notícias, e outros espiões foram enviados ao norte, e trouxeram as mesmas notícias.

- Então, uma reunião foi feita para decidir o que fazer. E foi deliberado por horas e não foi encontrada uma maneira de vencer o exército inimigo, pois a cidade era pequena e o povo era em menor número. Foi então decidido que, até vir uma solução, que fossem feito espadas, escudos, arcos e flexas para cada um dos habitantes, sejam homens, mulheres, e jovens. E que os mais jovens fossem treinados no arco e flexa, e os adultos na espada e no escudo.

- Algumas semanas se passaram e vieram notícias de que o primeiro exército marcha em direção a cidade. Os portões foram fechados e a centinela vigiava dia e noite. Eu já tinha dezenove anos, e havia conhecido seu pai na fabrica de armas. Trabalhava-mos juntos, e alí ficamos noivos, e nos casamos antes do primeiro exército chegar aos muros da cidade.

Sua mãe então pára por alguns segundos e olha para Alexander. Então prossegue:

- Uma noite, seu pai acorda durante a madrugada. Ele diz ter ouvido um barulho pelo quarto, como se houvesse passos de alguem por perto. E me pergunta se eu também os ouvi. Digo que nada ouví, e acendemos uma vela para ver. Ninguem havia conosco em nosso quarto. Voltamos a dormir, mas ele acorda alguns minutos depois e diz: "Ouço barulho de passos!". Reacendemos a vela e novamente não havia ninguem. Ele diz ter ouvido algo, como passos de muitas pessoas. E de repente ele me diz: "O exército!", e corre para fora, e sobe em uma das torres, e pergunta ao centinela: "Ouvistes algo? Ouço passos de minha casa.". O centinela diz que nada ouviu, ou viu, e que tudo está seguro. Então seu pai desce e vai a torre ao oeste, e mais uma vez, nada foi visto ou ouvido. Ele então, mais sossegado, volta em direção a sua casa. Mas ao chegar perto da porta, ouve novamente os passos, e era passos de soldados marchando, e os passos ficaram mais altos, e começou-se a ouvir o som dos metais de suas armaduras. E seu pai procura a sua volta, e olha para a escuridão que há pela estrada ao sul, que leva ao mar. Ele então vai pela estrada e desaparece. Eu o ví pela janela de seu quarto, que era o nosso quarto naqueles dias.

Alexander pergunta:

- E o que aconteceu? Não fostes com ele?

Sua mãe responde:

- Não. Não sei o que aconteceu, mas ele voltou correndo para casa e chamou-me para segui-lo. "Venha cá, venha ver isso!" dizia ele. Fui com ele, e ele me levou à beira do mar. E havia uma pedra presa ao chão, e haviam umas escrituras sobre a pedra, como sido gravadas por um artista. Seu pai perguntou-me então: "O que está escrito?". Ele não sabia ler bem, eu estava ainda o ensinando. O que estava escrito naquela pedra, todavia, eu não sei. Eram escrituras estranhas, em uma língua que não entendia-mos. Mas podia-se ler algumas partes mesmo sem saber o que significava. Fomos em casa e buscamos papel e tinta, e anotamos o texto sobre a pedra para que levasse-mos aos sábios da cidade. Anotamos e retornamos para casa. Eu não estava muito curiosa para saber do que se tratava; provavelmente algo deixado pelo mar durante a noite. Seu pai, no entanto, não se contia de ansiedade. Mas voltou para cama comigo, com o papel em mãos. Lí com ele o texto no papel, e ele aprendeu a ler-o sozinho. Mas ainda nada entendia-mos.

- Fomos dormir, mas acordei durante a madrugada com chamandos de seu pai: "Acorde Lian, acorde!". Ele novamente havia levantado durante a noite e retornado à pedra na beira do mar. E contou-me ele:

- Retornei à pedra com as escrituras, e tentei compreende-las, mas não pude. Procurei por mais escrituras ao redor da pedra, e pelas conchas na beira do mar, e pelas árvores sobre a areia, e por tudo que encontrei ao meu caminho, mas nada havia. Retornei à pedra, e sentei-me em frente às escrituras; e tentando compreende-las, lí-as diante da pedra, e diante do mar. E um forte vento soprou do mar, e trouxe consigo água do mar, e areia da praia. E ví a pedra se inclinar perante o vento, em minha direção. Levantei-me rapidamente assustado e olhei para o mar, mas nada podia ser visto. O vento parou, e a pedra não se moveu mais. Então, ajoelhei-me e puxei a pedra, e tentei virá-la para ver se havia algo escrito em seu verso. E puxei-a com força, mas ela não se movia pelas minhas mãos. Esperei que o vento soprasse mais uma vêz, mas o céu estava calmo, e o mar não fazia ondas. Mais uma vêz lí as escrituras diante da pedra, e o vento soprou, e a pedra se moveu. Enquanto o vento soprava, ajoelhei-me e rapidamente tentei virá-la. E puxando-a com muita força, a pedra se quebrou, e pela minha força eu fui jogado para tráz, e caí na areia. O vento parou de soprar, e eu me levantei para ver, e peguei os blocos da pedra quebrada um a um procurando por algo escrito, mas nada havia além do que já conhecia. E procurei mais, e fui retirando os blocos um de sobre o outro, até que ví um brilho, e desenterrei-o do meio das pedras. E era uma espada de metal claro, e a lâmina da espada era afiada dos dois lados. No cabo da espada, havia a inscrição: "ter centum". E um lado da lâmina era novo e bem afiado, e não havia arranhões. E o metal estava polido, e podia-se ver meu reflexo pela lâmina. O outro lado era velho, o metal estava enferrujado, e havia ranhuras das pedras que o afiaram. A ponta da espada, no entanto, era feita da lâmina velha e enferrujada.

- Seu pai então me deu a espada, e eu a ví, e também não entendi a inscrição. Mas seu pai sabia do que se tratava. Eu podia ver em seus olhos, mas ele não me contava. E eu não o perguntei, pois seu pai era um homem sábio, e eu confiava em suas decisões.

- Ele guardou a espada em sua bolsa e voltamos a dormir. Ele não estava mais ancioso, e sua face entristeceu-se, e ele dormiu rapidamente.

- Preocupada com seu pai, retornei à pedra com as escrituras pela manhã, não a encontrei mais, nem os blocos de pedra quebrados, nem suas marcas sobre a areia. Então levei o papel com o texto que estava sobre a pedra à um dos sábios da cidade, e ele também não sabia do que se tratava, ou sequer entendia o que estava escrito. Mas ele ficou com o papel, e disse-me que procuraria saber.

- Na noite seguinte as trombetas tocaram, e todos levantaram-se durante a noite, e sairam de suas casas com suas armas, e tomaram seus postos sobre o muro. Parte do exército inimigo aproximava-se, e a outra parte estendia-se como se cercasse o lado norte da cidade. O inimigo vinha com armaduras de couro, escudos de madeira, espadas, machados, e arcos e flexas. A parte que se aproximava tinha arcos e flexas, e eles pararam a uma distância do muro, longe da luz de nossas tochas. E não os podiamos ver bem, mas eles nos viam. Então nosso capitão ordenou que as tochas sobre o muro fossem jogadas no chão, do lado de fora da cidade. Assim, elas não iluminavam os arqueiros sobre o muro, e ofuscavam o inimigo.

- Houve então um longo momento de silêncio, e ninguem atirou uma flexa, ou soou um grito de guerra. O exército retornou um pouco ao norte, e após um tempo eles tomaram uma nova posição. Nosso capitão ordenou que nenhuma flexa fosse atirada. Mas o que parece é que por um tempo o inimigo tomou a mesma decisão, até que então os seus arqueiros se posicionaram atrás dos escudos dos escudeiros, e atiraram suas flexas contra nós. Ninguem foi atingido, mas nosso capitão ordenou que ninguem atirasse ainda.

- O inimigo atirou mais duas vezes, e nas duas vezes ninguem foi atingido. Nossa posição sobre o muro muito nos favorecia. Então, quando achava-mos que estavamos em grande vantagem, vieram as catapultas do exército inimigo. E então nosso capitão compreendeu as decisões do capitão adversário, e ordenou que atirasse-mos nos que traziam as catapultas, para que elas não se aproximassem do muro. E atiramos, e as mantemos afastadas o quanto pudemos, até que, em posição, a primeira catapulta atirou sua pedra, que veio sobre o muro, atingindo o chão e não acertando nada ou ninguem. Então, a segunda catapulta atirou, e acertou o muro que era de pedra, e apenas lascou um bloco de pedra. E a terceira catapulta atirou, e acertou uma das torres, e a torre foi derrubada matando os três arqueiros e o centinela que vigiava sobre ela. O capitão então ordenou que os arqueiros atirassem sobre os que carregavam as catapultas com as pedras, e sobre os que tentavam se aproximar delas, e ordenou que as flexas dos inimigos fossem pegas, pois ele sabia que seria uma longa batalha.

- E assim foi. Amanheceu o dia, e o inimigo havia perdido parte de seu exército, e nós haviamos perdido vinte homens e tres mulheres. Mas o inimigo ainda era maior em número, e eles não paravam de atirar flexas e lançar suas catapultas. Até que nossos arqueiros foram ficando sem flexas, e aos poucos foram se retirando de cima do muro para tomar uma espada e um escudo. O exército inimigo foi aproximando-se mais e mais do portão, a medida que os arqueiros foram se retirando.

- Seu pai então, vendo isso, pegou sua bolsa e veio a minha procura. Ele veio a mim e me levou para casa, e me contou o que havia de ser feito. E ouvindo suas palavras, eu tive medo, e ví lágrimas pelos olhos de seu pai. Mas suas palavras me davam conforto, pois eram palavras de um sábio, e nelas eu confiava.

- Ele então me levou para a praia ao sul, onde estamos. E me sentei sobre esta pedra. A batalha soava ao fundo, e seu pai pegou a espada, e ficou de frente para mim. Seus olhos então encheram-se de lagrimas, e o som da batalha ficou mais forte. Como se ele fosse guiado pelos santos, ele levantou sua espada e eu fechei meus olhos. E ele disse-me o quanto me amava, e que eu cuidasse bem do nosso filho, e que o dissesse o quanto ele o amava. E finalmente, com um único golpe, ele cortou-me a cabeça com sua espada, com a lâmina nova e polida.

Alexander não acreditava no que ouvia de sua mãe, mas não fez mais perguntas, apenas continuou a ouvir.

- Eu pude sentir a lâmina passando por meu pescoço, mas não havia dor. Eu então dormi, e por um longo tempo eu descansei. Acordei aqui, no chão, com uma das mulheres do artezanato me chamando, e perguntando o que havia acontecido. Eu não sabia. Sequer sabia onde estava. Levantei-me mas não pude andar bem. Fui carregada para uma das casa e dormi, e acordei ainda sem poder me equilibrar sobre meus pés, e não falava coordenadamente. Era como se eu não tivesse falado ou andado por um longo tempo.

- Naquela noite eu já estava melhor, podia falar e andar com mais firmeza. Então perguntei o que aconteceu para uma das mulheres que cuidava de mim, e ela me respondeu: "Encontramos você sobre a areia da praia, dormindo. De onde veio tu? Viestes de alguma embarcação?", e eu disse: "Conheces Irian, meu marido?", e ela me respondeu: "Não, nunca ouvi falar deste.".

- Eu sabia o que havia acontecido, e sabia o que deveria fazer, e quando fazer.
Saí pela porta na manhã seguinte, e a cidade estava em paz, e a paz era constante, e não havia mais muros ao redor da cidade. Apenas um pedaço do muro foi mantido como memorial. Fui até este memorial, e lí, e não pude tirar meus olhos do que estava escrito.
Alguns meses depois você nasceu. Alexander, filho de Lian e Irian.

- Meu filho, tu já lestes o memorial?

- Sim mãe, várias vezes.
- Filho, o Alexander que cita o memorial és tu.

Alexander fica sem palavras, e espera que sua mãe prossiga.

- Alexander, o soldado que veio a seu quarto esta noite era seu pai. Será amanhã a noite a celebração, do aniversário da vitória sobre o exército do norte.

Algo então fez sentido para Alexander. Então ele disse:

- Vamos procurar meu pai.

E os dois partiram pela cidade, de porta em porta, até que o encontram com uma das famílias da cidade. Alexander chama seu pai que dorme na cama, e seu pai abre seus olhos, e o vê, e o abraça com muita alegria.

Alexander e seu pai então conversam por horas, até o meio-dia. Sabendo de seus deveres, Irian pede à Alexander que lhe dê a mão e o ajude a caminhar, e o diz:

- Vamos, já é a hora.

E foram os três, Alexander, Irian, e Lian pela mesma estrada que leva ao sul, à praia. E Irian então pediu que o ajudassem a virar a pedra que havia em baixo da árvore. E ao virar, lá estava sua espada.

Então, Alexander prostrou-se de frente ao seu pai, que tomou sua espada e a levantou. Mas desta vêz não haviam lágrimas seus olhos, nem medo no peito de Alexander, e nem tristeza no coração de Lian. E ele diz: "Lembra-te do memorial, quanto fostes cumprir o que tens de cumprir. Nós te amamos, meu filho.". E então, seu pai corta-lhe a cabeça com a espada, com a lâmina velha e enferrujada; e Alexander some de frente de seus olhos. Ao atravessar o pescoço de Alexander, a espada quebra-se em dois, e parte da lâmina cai sobre a areia, mas não há sangue nem pela areia, nem pela lâmina. Irian olha para sua esposa e diz: "Está feito.". E ele joga a outra metade da espada sobre a areia, e os dois retornam para casa.

Alexander acorda na praia, com um soldado lhe carregando para casa. Alexander olha para o soldado, e ele o diz: "Bem vindo, Alexander. Aguardava-o anciosamente.". Alexander então volta a dormir.

Pela manhã, ele acorda com sons de batalha, e gritos de batalha. E assim que abre os olhos, o comandante o comprimenta e diz: "Seu pai era um homem de muita sabedoria.". Alexander então lembrou dos ensinamentos de sua mãe, e compreendeu o que havia de ser feito. E sabendo que o tempo era curto, senta-se, e olha para o lado, pega um papel e uma pena, e escreve. Então diz ao comandante: "Traga-me tudo isso.". O comandante pega a lista e corre para fora, e passa instruções aos seus oficiais, que saem com seus soldados.

Mais tarde Alexander já podia equilibrar-se sobre seus pés, e falar com firmeza. Ele então sai da casa, e a batalha havia-se acalmado, e o exercito inimigo retirou-se por algumas horas. Ele então conversa com o comandante:

- Há vinte anos estão em guerra?
- Sim, será vinte anos amanhã.
- Mas como pode? Nunca o inimigo passa pelo muro? Ou consegue derruba-lo?
- As batalhas não extendem-se todos os dias e todas as noites. Houve muitos anos de paz. O inimigo retorna ao norte e volta cada vez mais forte. Nestes anos fazemos defezas, e reforçamos o muro, sempre com a esperança de que o inimigo não retorne. Mas sempre retorna. Houve um período de oito anos onde achamos que não os veriamos mais. E após oito anos a guerra recomeçou. Agora, eles vieram em grandissimo número. Homens e mulheres, e seus filhos, e seus animais. Pois nada mais pode-se plantar ou colher em sua cidade; a terra foi destruída e o gado morto. Nossas defesas estão fracas e nosso povo exausto. Não poderemos suportar o ataque que nos aguarda.
- Mas, pois, o inimigo não entra? Nem pelo mar, ou pelas montanhas?
- Houve alguns que vieram pelo sul, e por barcos na praia. Mas estes vieram em menor número, e vieram sem liderança. As torres ao sul os avistaram, e estávamos prontos quando desceram à praia.

Então chega os oficiais com seus soldados, com cavalos carregando os materiais. E Alexander levanta-se e confere os materiais, e diz:

- Vamos. Há muito o que fazer até a noite.

Eles vão à fábrica de armas, e sob as ordens de Alexander os materiais são misturados, e de acordo com suas instruções catapultas são feitas, e grandes esferas de madeira são feitas ocas. E as misturas são colocadas dentro das esferas, e também grandes lanças de madeira são feitas, e outras misturas são derramadas dentro das lanças. E durante todo o dia e toda noite muitas armas foram feitas, e todo o material foi usado. Até que de madrugada, algumas horas antes do sol nascer, vem um dos oficiais ao comandante e diz: "Esta é a hora.".

As catapultas são levadas para perto do muro, e o exército inimigo marcha em direção a cidade. E são milhares de soldados, e vestiam armaduras de metal. E todos na cidade se enchem de medo, mas o comandante ordena que ninguem atire uma flexa. Todas as catapultas estavam prontas, e as catapultas que lançavam as grandes lanças estavam prontas. O comandante do exército inimigo dá seu grito de guerra, e todos seus soldados correm em direção ao muro; e flexas são atiradas contra os arqueiros sobre o muro, e homens carregando uma grande tora vém para derrubar o portão, e homens com machados vém para cortá-lo.

Então, o comandante olha para Alexander, e Alexander aponta para as primeiras catapultas e comanda que atirem. E as catapultas atiram suas cargas, e ao atingir o chão as cargas rompem-se e espalham sua mistura pelo chão e pelos soldados, por uma grande area. Então o comandante diz aos arqueiros que lancem suas flexas; e os arqueiros apontam para o ar e atiram suas flexas incandecentes. E ao cairem, o chão entra em chamas, levando consigo muitos dos soldados. E dezenas de catapultas atiram suas cargas, e mais flexas incandecentes são atiradas. E o exército inimigo perde metade de seus soldados. A outra metade recua, e fica admirada do que vêem. Alexander e o comandante então olham para as grandes lanças, e juntos comandam que atirem. E as lanças são atiradas, e alcançam a segunda metade do inimigo, e muitas lanças foram atiradas, e o inimigo foi destruido. Após acabado as lanças, os portões da cidade são abertos, e a infantaria persegue os que fogem. E os arqueiros atiram nos que correm para o leste ou para o oeste, e ninguém do exército inimigo foi polpado.

E a cidade celebra a vitória. Todos alegram-se, e há festa por todo o dia e por toda a noite.

No dia seguinte, a cidade estava calma. Não havia sons de batalha, ou sons de martelos pela fábrica de armas. Muitos limpavam suas casas, e outros limpavam as ruas da cidade, e as ruas pelo muro, e pelo lado de fora do muro. O capitão então caminha com Alexander, e conta-lhe as histórias de seu pai, e as histórias da cidade. E os dois vão pela estrada ao sul, em direção a pedra embaixo da árvore. E ele conta que seu pai, Irian, pediu para ter sua cabeça cortada por sua própria espada, e deixou instruções para que sua espada fosse escondida embaixo desta pedra e jamais retirada. E disse que eu esperasse por seu filho aqui, na hora exata do dia exato.

Alexander conta ao capitão sobre sua vida tresentos anos no futuro, e tudo que havia de novo, e como era a cidade de seus filhos, e dos filhos de seus filhos. Conta-lhe como sua mãe insistiu para que ele adquirisse conhecimento com os sábios da cidade, e com os sábios das cidades que visitavam, e para que fosse entendido na ciência, pois no passado tal ciência teria um valor incalculavel. E disse ao capitão que sequer suspeitou de plano algum, e que viveu como todos os jovens da cidade.

Alguns meses depois, Alexander vai até o memorial que estava sendo escrito, e lembra de seu pai, e de sua mãe. Ele então dá um papel para um dos homens que escrevia o memorial, e pede-o que inclua estas palavras ao fim, e seus significados escritos no verso.

Alexander, todavia, sentia que ainda havia algo mais a ser feito. Mas retornou à sua casa, à casa de seus pais. E viveu na cidade por muitos anos, e alí casou-se.

Já Lian, uma manhã, chama Irian da cama para que vá com ela ao memorial. E estava escrito no memorial o significado das palavras que haviam sobre a pedra que Irian encontrara na praia. Irian lê, e admira-se do seu significado. E parte das palavras diziam:

"post tergun ut praesidium", que lê-se: "deixado para que proteja".
"imperious lex aeterna", que lê-se: "leis eternas de grande força".
"obsto maleficus genus hominum", que lê-se: "contra a má raça humana".

E tendo visto isso, Irian sentiu medo, pois leu palavras de grande sabedoria e não as compreendeu. Ele então toma sua esposa e vai de encontro aos sábios das cidades, e os conta sobre a pedra, e sobre as escrituras na pedra, mas nenhum compreende.

Tendo eles então viajado ao oriente, foram ter com outros sábios, e nenhum trouxe-lhes entendimento. E viajaram ao ocidente, e foram ter com homens de ciência, mas nada foi-lhes exclarecido. E não havia um sábio que compreendesse o propósito das escrituras, ou que soubesse da existência da pedra.

Alguns meses se passaram. E durante uma noite, Irian teve um sonho. E seu sonho era uma visão. Irian acorda de manhã e chama Lian, e conta-lhe seu sonho:

- Tive esta visão durante a noite. E vi uma cidade em meu sonho, e não havia ninguem na cidade, nem pelas ruas, nem dentro das casas. Então, uma grande criatura como um pássaro voava sobre a cidade. E assistindo a criatura voar, olhei para o lado, e havia um ancião em pé a minha esquerda, que me disse: "Venha, te levarei aos outros.". Segui-o para dentro da cidade, e para dentro do templo no centro da cidade. E lá estavam oito nobres, entre homens e mulheres, cada um de uma região da terra. O primeiro, um curandeiro; e por suas mãos eram curados os enfermos. O segundo vestia-se com uma cabeça de pássaro e reinava sobre seu povo com braço de ferro. O terceiro era uma mulher que abrigava em sua casa os perseguidos como uma ave abriga seus filhotes. O quarto era um artista, que inspirava-se de visões e profecias. O quinto era um pastor de ovelhas. O sexto era um profeta que pregava a longa vida. O sétimo era um guerreiro, e o inimigo não o podia ver. O oitavo era um músico, e sua música invocava a presença dos santos. E havia um lugar vazio no templo, e o ancião que estava comigo sentou-se naquele lugar, e botou seu livro sobre a mesa, e o abriu. E no livro havia o nome dos outros oito nobres. E eram seus nomes: Malialéh para o curandeiro, Ramsés para o que vestia-se com a cabeça de pássaro, Mirian para a mulher, Aihen para o artista, Iamaréu para o pastor, Graham para o profeta, Natahé para o guerreiro, e Datmessis para o músico. E todos deram ouvidos ao ancião com o livro, pois ele era sábio. E o ancião disse a Malialéh: dá a cura aos enfermos. E a Ramsés: dá segurança aos que temem a morte. E a Mirian: leva os aflitos para longe do perigo. E a Aihen: dá inspiração aos que a buscam. E a Iamaréu: ensina a pastorar aos que a tí vem. E a Graham: dê a longa vida aos que te pedirem. E a Natahé: treine os bons guerreiros. E a Datmessis: ensine sua música aos que podem tocar.

- E tendo ouvido isso, os oito nobres esperaram. Mas ninguem havia que guardasse a cidade, e o homem perverso entrou pelos portões, e foi até os nobres, e foi atendido. E chamou ele a seus companheiros, que entraram na cidade, e também foram atendidos. E os homens perversos não permitiam que os homens de bém entrassem na cidade, ou que chegassem ao templo. Então, vi o rio ao redor da cidade se tornar em sangue, e havia ossos pelo chão.

- A grande criatura como um pássaro veio mim, e disse-me: "Vém, te levarei a seu filho.". E meu coração se encheu de alegria, e subí sobre as costas da criatura, e ela me levou a uma estrada de terra, e o disse-me: "Ande por essa estrada, e procure por uma pedra verde.". E eu andava, e a criatura andava ao meu lado, até que encontramos a pedra, ao lado da estrada. E a criatura disse: "Quebra esta pedra com sua mão.". E quebrei-a com minha mão, e água saiu da pedra. E a criatura novamente falou: "Pegue sua espada que foi quebrada e lave-a nesta água.". E eu a peguei da areia que havia do outro lado da estrada, e a lavei na água que saiu da pedra, e a espada foi renovada, e não mais estava quebrada. Então, a criatura abaixou-se para eu subisse em suas costas, e eu subi, e ela me levou devolta a cidade. E a cidade estava em paz, e não mais havia ossos pelo chão, e a água do rio estava limpa. Então a criatura me disse: "Sai da cidade e voltes para onde veio.". E fui-me indo, mas a criatura tomou a espada de minha mão, e voou para o sul com ela.

Lian não compreendeu a visão de Irian, mas ele a explicou. E fez-se entendimento em sua cabeça, e seu coração encheu-se de paz. Ela então levanta e pega suas coisas e diz a Irian: "Sabes o que deves fazer?". Irian responde: "Sim. Vamos pois.". E os dois retornam a sua cidade.

Chegando a cidade, eles vão à areia do mar, ao sul. Irian cava sobre a areia onde havia deixado sua espada, e a encontra. E a espada estava renovada, e não estava mais quebrada. Eles então se abraçam forte, e Irian toma sua espada com sua mão direita, e aponta-a contra as costas de Lian, por tráz de seu coração. Então segura a espada também com a mão esquerda, e puxa-a contra Lian, e contra seu próprio peito. E os dois acordam naquela praia, a tresentos anos atrás. E alí dormem durante a noite, e durante a manhã do dia seguinte.

Então, naquela tarde, eles levantam-se e vão para sua casa, para a casa de seu filho Alexander. E Alexander muito se alegra em os ver, e os abraça, e os apresenta sua esposa.

E os quatro reunem-se durante a noite, e Irian conta seu sonho, e conta-lhes sobre a espada. E fez-se entendimento em suas cabeças, pois as palavras de Irian eram palavras de um sábio. E por muito tempo conversaram, e assumiram o compromisso de guardar a cidade, e proteger os nobres que habitavam o templo. E decidiram tornar duro o trabalho dos que os buscam, e três vezes fariam pingar o suor do corpo dos que anseiam ser atendidos.

E saem então, Alexander e sua esposa para o ocidente, Irian e Lian para o oriente, para fora da cidade, e nunca mais foram vistos. Mas os que os buscam os acharão, e os que anseiam pelo entendimento serão atendidos. Pois a cidade está aberta, e suas portas estão pelas águas. Mas o caminho ao templo é escondido, e poucos são os que o vêem, e o seguem.

Fim.