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E era noite;
não
haviam luzes acesas. Todos que havitavam a cidade dormiam, e todos
os seus animais,
e os animais que viviam pelas ruas. O céu era claro e
sem nuvens, e a lua era a única luz.
Ao meio da madrugada, o jovem Alexander ouve algo e acorda
assustado. Olha ao redor e não há nada. Não muito podia ser visto
em meio a escuridão de seu quarto, mas ele volta a dormir. Logo em
seguida, já quase devolta à seu sono, ele sente a presença
de alguem ao lado de sua cama, como se pudesse sentir o calor do corpo ou
o vento da respiração.
Tomado pelo medo, ele não consegue virar-se para ver, nem sequer falar,
ou mexer-se na cama. Passa-se alguns minutos, e o medo diminui. Alexander
vira-se para o lado para ver, mas não há ninguem. Mal podia-se
ver dentro de seu quarto, mas ele estava assustado demais para levantar-se
e ter certeza
que não havia ninguem ali.
Procurando com os olhos por debaixo de seu cobertor, nada vê. Mas
então
ouve-se uma vóz, e era vóz de homem velho, já na
idade de pai. E a vóz falou uma vez: "Onde está minha
espada...".
Alexander é tomado pelo pânico, pois agora tinha certeza
de haver alguem consigo. E sentiu sua pele ficando dormente, e sua visão
ficando clara pelo medo, e nada fazia além de aguardar que alguem
saísse da escuridão
a seu encontro.
A vóz repetiu-se em outro lugar, no escuro, dizendo desta vez: "Preciso
encontrar minha espada...", e em seguida: "Meu escudo! Onde está?
Há alguem me ouvindo?". Alexander não responde e fecha
os olhos. Com os olhos fechados, ele ouve passos pelo quarto,
e
os passos iam para longe e voltavam, e não se cessavam, como os passos
de alguem procurando por algo. Então Alexander abriu seus olhos, e
viu apenas escuridão, e não ouvia mais a vóz, nem os
passos, nem sentia mais haver alguem consigo.
Então, olhando reto para o lado de sua cama, ele vê uma imagem vindo
a seu encontro. E era a imagem de um homem, já na idade de seus pais,
e tinha cabelos brancos, e seus cabelos eram longos. Ele vinha andando sem equilibrio,
e não coordenava-se bem. Ele veio devagar pela dificuldade em andar, aproximou-se
de Alexander, e perguntou: "Vistes minha espada?". Alexander não
podia responder de medo, e o homem o tocou no ombro para que lhe respondesse,
e perguntou: "Estás acordado? Preciso encontrar minha espada, e meu
escudo.". Alexander não podia o ignorar, e respondeu: "N-n-não
sei do que falas. Não tenho sua espada, ou seu escudo. Vá-se embora!".
O homem então olha para o lado e diz: "Ah, eis aqui meu escudo.",
e abaixa-se ao chão e levanta-se com seu escudo no braço esquerdo.
E era um escudo de madeira, sujo de barro, e derramava pó pelo chão.
Alexander então nota que o homem era um soldado, vestido de couro e cinturão.
E seu escudo era velho, com marcas de flechas e cortes de espada. Mas ele o empunhava
com segurança, e sentia-se bem com o escudo em seu braço.
Novamente,
o soldado perguntou a Alexander: "E minha espada?".
Alexander ainda sentia medo, mas respondeu-o: "Não
ouviu-me? Não tenho
sua espada, nem sequer conheço-te. Por que achas que a tenho?".
E o soldado respondeu, com a vóz desajeitada: "Eu vivo
aqui. Esta é minha
casa.". Alexander respondeu: "Moro aqui des de menino. Nunca
te vi, nem em minha casa, nem pela cidade. Estás na casa errada.".
E o soldado insistiu: "Eu moro aqui, você é quem
está enganado. Preciso
de minha espada, e procuro quem vá comigo.". Alexander: "Ir
contigo? Para onde?", e o soldado responde: "Onde está meu
capacete? Não posso ir sem um capacete.". E então
o soldado sai procurando, e sai do quarto de Alexander, e deixa a casa
indo pelas ruas. Alexander olha
pela janela e o vê em meio a escuridão, e grita: "Eu
faço-lhe
um capacete, mas diga-me onde irás!". E o soldado não
o dá atenção,
e continua andando até que some pelas ruas.
Alexander
corre e tranca as portas da casa, e tranca-se em seu quarto,
e fecha a janela, e amarra-a com cordas. Então acende
uma vela para que veja em seu quarto, e não havia espada
ou capacete, mas apenas o pó deixado
no chão pelo escudo do soldado. Alexander pensa em sair a
procura do soldado, mas volta a dormir, e mantém a vela acesa.
Pela
manhã,
Alexander acorda, e anda por sua casa, e procura por uma explicação,
ou alguma pista. Mas não há nada. Ele então
desamarra sua janela e olha por ela, e ve a direção
que o soldado seguiu, corre então para a rua e segue nessa
direção, mas
o caminho leva apenas ao mar, e à areia da praia.
Ele
volta a cidade, e vai ao artezanato onde sua mãe trabalha.
E lá estava
ela, trabalhando do lado de fora, pois o dia era claro, e havia
um vento agradavel. Ele senta-se com sua mãe e começa
a contar-lhe toda a história
sobre a noite passada, e sobre o soldado que o visitou. A face
de sua mãe
muda, e parece preocupada, mas não assustada.
E ele prossegue até o fim, e até o fim sua mãe
não o interrompe.
Então, ela o diz: - Alexander, qual era o nome deste soldado?
- Não sei, não perguntei-o seu nome. Por que?
Ela pára
e pensa por alguns segundos, e sua face enche-se de surpreza.
Alexander calado aguarda que sua mãe diga algo.
Então, ela diz:
- Filho, sabes quantos anos tenho?
- Sim, como não? Tens 39 anos.
- Alexander, este homem, o soldado, disse-o para onde ele ia? Ou
o que ele fazia aqui?
- Não. Eu o perguntei, mas ele partiu sem que eu soubesse.
- Partiu para onde?
- Para a estrada estreita ao sul. Fui lá, não há nada
além do mar.
- Filho, o que disse-lhe este homem sobre de onde ele veio?
- Disse-me que mora em nossa casa, e que sempre viveu lá. Mas nunca
o vi, nem sequer pela cidade.
Alexander
olha para sua mãe, e ela olha em
direção ao caminho estreito que leva ao mar, e diz:
- Acompanhe-me.
Lhe contarei uma história.
Os dois
levantam e andam pelo caminho ao sul, que leva a praia. E há uma
pedra sobre a areia, embaixo de uma árvore. E não
vê-se ninguem por perto,
e há apenas o som do vento, e do mar, e dos pássaros
sobre o mar. Alexander olha em volta procurando pelo soldado. Sua
mãe
vai em direção a pedra abaixo da árvore,
bota sua mão sobre ela, e fecha os olhos. Alexander
aproxima-se dela e pergunta:
- O que há com
esta pedra?
Sua mãe
senta-se sobre a pedra, e puxa seu filho Alexander para que sente-se
com ela. E começa a falar-lhe:
- Você não conhece a história de nossa cidade,
pois ela nunca foi escrita. E há uma razão por que
ela nunca foi escrita. Mas vou contar-lhe.
Alexander ouve
atentamente, e sua mãe começa:
- A pouco
mais de três séculos atráz, nós
viviamos ao norte, em uma grande cidade, onde havia muitas pessoas,
e todo o tipo de produtos da terra ou do mar, e produtos das mãos
dos homens, e produtos feitos de produtos das mãos dos homens.
E mercadores de todas as regiões vinham
a nossa cidade para vender seus produtos, e para comprar. E muitos
vinham do ocidente, e do oriente.
- Aos poucos, alguns cresceram, e
construiram grandes propriedades, e contrataram para sí empregados.
E mais eles cresciam, e multiplicavam suas riquesas. E assim a
cidade cresceu.
- Passaram-se os anos, e seus empregados
tornaram-se dependentes de seus senhores, e os
filhos
de seus empregados, e as mulheres
de seus filhos. E assim a cidade continuou a crescer.
- Não levou muito tempo para que os coração
dos grandes se endurecessem. Por suas mãos e pelas mãos dos
que os serviam, o mal começou a ser feito pela cidade. Mas a cidade
crescia cada dia mais, e a cada dia mais e mais vinham do ocidente e do oriente.
- Alguns anos se passaram, e nossos pais se reuniram. Reuniram-se secretamente,
e conversaram sobre o futuro de seus filhos, e dos filhos de seus filhos.
Lembro-me estar com meu pai e com minha mãe. E em todas as déz
reuniões
eu estava lá, entre outras vinte famílias.
- Na primeira reunião, minha mãe levantou-se e falou a todos,
e todos a ouviram. Ela os disse sobre a árvore que se entorta ao crescer,
e quando muito cresce não pode mais ser endireitada. Todos a ouviram,
e outros falaram, e tambem foram ouvidos. E depois de ouvir a todos,
cada um deu seu voto. E
então, naquela noite, foi decidido fundar uma nova cidade, para o bém
de seus filhos, e os filhos de seus filhos.
- As próximas seis reuniões foram
para decidirmos o que fazer, para onde ir, e como viver de forma que o mesmo
destino
não
se repetisse. Mapas foram tragos e todos deram seu voto, e após os
votos que escolheram a região,
mais votos escolheram um local dentro da região.
- As duas reuniões seguintes foram para
decidirmos como partir, o que levar, e como se acampar no local. E na décima
reunião,
todos já estavam prontos, e de lá partiram durante a noite, ao sul,
para a margem do mar e do rio que desagua no mar.
Alexander, surpreso, interrompe-a e pergunta:
- E quanto
tempo passou dês de que partiram do norte?
- A tresentos e déz anos.
Alexander
pára
e pensa por alguns segundos, e diz:
- E como estavas
tú presente nas reuniões?
Sua mãe
prossegue, como se continuasse a explicar para que Alexander entendesse:
- Quando saímos durante aquela noite, alguns olharam por
suas janelas, e nos viram ir em direção ao sul. Sem
saber do que se tratava, retornaram as suas casas, e nos deixaram
ir em paz.
- Foi uma caminhada de desesseis dias.
E ninguem se desviava, ou retornava. E ninguem era deixado para
tráz. Ao chegar ao lugar escolhido,
havia terra para se plantar, e animais por todo lugar. Nada precisamos
que não havia sobre a terra, ou debaixo
da água.
- Então, dividimos o povo em três grupos: Os que iam plantar
e colher e cuidar dos animais, os que iam cortar madeira e fazer barro para
as casas
de todos, e por fim os que iam construir os muros da cidade. Em alguns meses
havia casa para todos, e havia plantações e criações
de animais para todos. O muro da cidade foi erguendo-se aos poucos, e era
o trabalho maior.
- Em dois anos, o muro foi completo, e as ruas da cidade eram feitas de pedras,
e possuia-mos uma grande igreja, onde também nos reunia-mos
para tomar as decisões importantes da cidade, e para as celebrações
de nosso povo.
- Todos estavam felizes com o futuro, e com o futuro de seus filhos. E leis
foram feitas para que não se repetisse a história de nossos irmãos.
Alexander pergunta:
- E és esta a cidade? És
este o local que tu me falas?
Sua mãe
responde e continua:
- Sim, aqui.
Eu ajudei minha mãe a cuidar dos animais. Meu
pai trabalhou no muro da cidade. Nossa casa nós mesmos construímos
com o material que era dado a nós. Cada um construiu sua
própria
casa, no tempo em que não estava trabalhando para a cidade.
Mais uma
vêz, Alexander não compreende e pergunta:
- Como esteves
presente na fundação da cidade? E como
sabes de tudo isso se nada está escrito?
- Sei pois estive lá. Filho, eu sim tenho trinta e nove
anos. Continuarei e tú entenderás. E saberás
quem é o
homem que veio a tí esta noite, e o que ele busca.
E sua mãe
prossegue:
-
Alguns anos se passaram, e vieram
do norte viajantes de passagem, e viram a cidade, e entraram
para abastecerem-se. E trouxeram notícias
de que a cidade que deixamos para tráz estava em crise,
e muitos não tinham o que comer. Aos poucos, mais
e mais vieram do norte. Alguns desejaram ficar, mas outros
vinham com o coração endurecido, e não
aceitavam as leis de nossa cidade, e retornavam ao norte.
- Os anos passaram-se, e um dia
um dos nossos veio de retorno do norte trazendo noticias de que
um exército se preparava
para invadir nossa cidade, e que os muros da cidade não
os conteriam por muito
tempo. Todos ficaram assustados com as notícias, e outros espiões
foram enviados ao norte, e trouxeram as mesmas notícias.
- Então, uma reunião foi feita
para decidir o que fazer. E foi deliberado por horas e não foi encontrada
uma maneira de vencer o exército
inimigo, pois a cidade era pequena e o povo era em menor número.
Foi então decidido que, até vir uma solução,
que fossem feito espadas, escudos, arcos e flexas para cada um dos habitantes,
sejam homens, mulheres, e jovens. E que os mais jovens fossem treinados
no arco e flexa, e os adultos na espada e no escudo.
- Algumas semanas se passaram e vieram notícias
de que o primeiro exército
marcha em direção a cidade. Os portões foram
fechados e a centinela vigiava dia e noite. Eu já tinha dezenove
anos, e havia conhecido seu pai na fabrica de armas. Trabalhava-mos juntos,
e alí ficamos noivos, e nos casamos antes do primeiro exército chegar
aos muros da cidade.
Sua mãe então pára por alguns segundos e olha
para Alexander. Então prossegue:
- Uma noite,
seu pai acorda durante a madrugada. Ele diz ter ouvido um barulho
pelo quarto, como se houvesse passos de alguem por perto. E me
pergunta se eu também os ouvi. Digo que nada ouví,
e acendemos uma vela para ver. Ninguem havia conosco em nosso
quarto.
Voltamos a dormir, mas ele acorda alguns minutos depois
e diz: "Ouço barulho de passos!". Reacendemos
a vela e novamente não havia ninguem. Ele diz ter ouvido
algo, como passos de muitas pessoas. E de repente ele me diz: "O
exército!",
e corre para fora, e sobe em uma das torres, e pergunta ao centinela: "Ouvistes
algo? Ouço passos de minha casa.". O centinela diz
que nada ouviu, ou viu, e que tudo está seguro. Então
seu pai desce e vai a torre ao oeste, e mais uma vez, nada foi
visto
ou ouvido. Ele então, mais sossegado, volta em direção
a sua casa. Mas ao chegar perto da porta, ouve novamente os passos,
e era passos de soldados marchando, e os passos ficaram mais
altos, e começou-se a ouvir o som dos metais de suas armaduras.
E seu pai procura a sua volta, e olha para a escuridão
que há pela estrada ao sul, que leva ao mar. Ele
então vai pela estrada e desaparece. Eu o
ví pela
janela de seu quarto, que era o nosso quarto naqueles dias.
Alexander pergunta:
- E o que aconteceu?
Não fostes com ele?
Sua mãe
responde:
- Não.
Não
sei o que aconteceu, mas ele voltou correndo para casa e chamou-me
para segui-lo. "Venha cá, venha
ver isso!" dizia ele. Fui com ele, e ele me levou à beira
do mar. E havia uma pedra presa ao chão, e haviam umas escrituras
sobre a pedra, como sido gravadas por um artista. Seu pai perguntou-me
então: "O que está escrito?". Ele não
sabia ler bem, eu estava ainda o ensinando. O que estava
escrito naquela pedra, todavia, eu não sei. Eram escrituras
estranhas, em uma língua que não entendia-mos. Mas
podia-se ler algumas partes mesmo sem saber o que significava.
Fomos em casa e
buscamos papel e tinta, e anotamos o texto sobre a pedra para que
levasse-mos aos sábios da cidade. Anotamos e retornamos
para casa. Eu não estava muito curiosa para saber do que
se tratava; provavelmente algo deixado pelo mar durante a noite.
Seu pai, no
entanto, não se contia de ansiedade. Mas voltou para cama
comigo, com o papel em mãos. Lí com ele o texto no
papel, e ele aprendeu a ler-o sozinho. Mas ainda nada entendia-mos.
- Fomos dormir, mas acordei durante
a madrugada com chamandos de seu pai: "Acorde
Lian, acorde!". Ele novamente havia levantado durante a noite e
retornado à pedra na beira do mar. E contou-me ele:
- Retornei
à pedra com as escrituras, e tentei compreende-las, mas
não pude.
Procurei por mais escrituras ao redor da pedra, e pelas conchas
na beira do mar, e pelas árvores sobre a areia, e por
tudo que encontrei ao meu caminho, mas nada havia. Retornei à pedra,
e sentei-me em frente às escrituras; e tentando compreende-las,
lí-as diante
da pedra, e diante do mar. E um forte vento soprou do mar, e
trouxe consigo água do mar, e areia da praia. E ví a
pedra se inclinar
perante o vento, em minha direção. Levantei-me
rapidamente assustado e olhei para o mar, mas nada podia ser
visto. O vento parou,
e a pedra não se moveu mais. Então, ajoelhei-me
e puxei a pedra, e tentei virá-la para ver se havia algo
escrito em seu verso. E puxei-a com força, mas ela não
se movia pelas minhas mãos.
Esperei que o vento soprasse mais uma vêz, mas o céu
estava calmo, e o mar não fazia ondas. Mais uma vêz
lí as escrituras diante
da pedra, e o vento soprou, e a pedra se moveu. Enquanto o vento
soprava, ajoelhei-me e rapidamente tentei virá-la. E puxando-a
com muita força, a pedra se quebrou, e pela minha força
eu fui jogado para tráz, e caí na areia. O vento
parou de soprar, e eu me levantei
para
ver, e peguei os blocos da pedra quebrada um a um procurando
por algo escrito, mas nada havia além do que já conhecia.
E procurei mais, e fui retirando os blocos um de sobre o outro,
até que
ví um brilho, e desenterrei-o do meio
das
pedras.
E era uma espada de metal claro, e a lâmina da espada era
afiada dos dois lados. No cabo da espada, havia a inscrição: "ter
centum".
E um lado da lâmina era novo e bem afiado, e não
havia arranhões. E o metal estava polido, e podia-se
ver meu reflexo pela lâmina. O
outro
lado era
velho, o metal estava enferrujado, e havia ranhuras das pedras
que o afiaram. A ponta da espada, no entanto, era feita da lâmina
velha e enferrujada.
- Seu pai
então me deu a espada, e eu a ví, e também não entendi a inscrição.
Mas seu pai sabia do que
se
tratava. Eu podia
ver em
seus
olhos,
mas ele não me contava. E eu não o perguntei, pois seu pai era
um homem sábio, e eu confiava em suas decisões.
- Ele
guardou a espada em sua bolsa e voltamos a dormir. Ele não estava
mais ancioso, e sua face entristeceu-se, e ele dormiu rapidamente.
- Preocupada
com seu pai, retornei à pedra
com as escrituras pela manhã, não a encontrei mais,
nem os blocos de pedra quebrados, nem suas marcas sobre a areia.
Então
levei o papel com o texto que estava sobre a pedra à um dos sábios
da cidade, e ele também não sabia do que se tratava, ou sequer
entendia o que estava escrito. Mas ele ficou com o papel, e disse-me que
procuraria saber.
- Na
noite seguinte as trombetas tocaram, e todos levantaram-se durante
a noite, e sairam de suas casas com suas armas,
e tomaram seus postos sobre
o muro.
Parte do exército inimigo aproximava-se, e a outra parte estendia-se
como se cercasse o lado norte da cidade. O
inimigo vinha com armaduras de couro, escudos de madeira, espadas, machados,
e arcos e flexas. A
parte que se aproximava tinha arcos e flexas, e eles pararam a uma distância
do muro, longe da luz de nossas tochas. E não os podiamos ver
bem, mas eles nos viam. Então nosso
capitão ordenou que as tochas sobre o muro fossem jogadas no chão,
do lado de fora da cidade. Assim, elas não iluminavam os arqueiros
sobre o muro, e ofuscavam o inimigo.
- Houve então um longo momento de
silêncio, e ninguem atirou
uma flexa, ou soou um grito de guerra. O exército retornou um
pouco ao norte, e após um tempo eles tomaram uma nova posição.
Nosso capitão
ordenou que nenhuma flexa fosse atirada. Mas o que parece é que
por um tempo o inimigo tomou a mesma decisão, até que então
os seus arqueiros se posicionaram atrás dos escudos dos escudeiros,
e atiraram suas flexas contra nós. Ninguem foi
atingido, mas nosso capitão
ordenou que ninguem atirasse ainda.
- O
inimigo atirou mais duas vezes, e nas duas vezes ninguem foi
atingido.
Nossa posição sobre o muro muito nos favorecia.
Então, quando achava-mos que estavamos em grande vantagem,
vieram as catapultas do exército inimigo. E então nosso
capitão
compreendeu as decisões do capitão adversário, e ordenou que atirasse-mos
nos que traziam as catapultas, para que elas não
se aproximassem do muro. E atiramos, e as mantemos afastadas o quanto
pudemos, até que, em posição, a primeira catapulta
atirou sua pedra, que veio sobre o muro, atingindo o chão
e não
acertando nada ou ninguem. Então,
a segunda catapulta atirou, e acertou o muro que era de pedra, e
apenas lascou um bloco de pedra. E a terceira catapulta atirou, e
acertou uma das torres,
e a torre foi derrubada matando os três arqueiros e o centinela
que vigiava sobre ela. O capitão então ordenou que
os arqueiros atirassem sobre os que carregavam as catapultas com
as pedras, e sobre
os que tentavam
se aproximar delas, e ordenou que as flexas dos inimigos fossem pegas,
pois ele sabia que seria uma longa batalha.
- E
assim foi. Amanheceu o dia, e o inimigo havia perdido parte de
seu exército,
e nós haviamos perdido vinte homens e tres mulheres. Mas
o inimigo ainda era maior em número, e eles não paravam
de atirar flexas e lançar
suas catapultas. Até que nossos arqueiros foram ficando
sem flexas, e aos poucos foram se retirando de cima do muro para
tomar uma espada e um
escudo. O exército inimigo foi aproximando-se mais e mais
do portão,
a medida que os arqueiros foram se retirando.
- Seu
pai então, vendo isso, pegou sua bolsa e veio a minha procura.
Ele veio a mim e me levou para casa, e me contou o que havia de
ser feito. E ouvindo suas palavras, eu tive medo, e ví lágrimas
pelos olhos de seu pai. Mas suas palavras me davam conforto,
pois eram palavras de um sábio, e nelas eu confiava.
- Ele
então me levou para a praia ao sul, onde estamos. E me
sentei sobre esta pedra. A batalha soava ao fundo, e seu
pai pegou a espada, e ficou de frente
para mim. Seus olhos então encheram-se de lagrimas, e o som da batalha
ficou mais forte. Como se ele fosse guiado pelos santos,
ele levantou sua espada e eu fechei meus olhos. E ele
disse-me o quanto me amava, e que eu cuidasse bem do nosso filho,
e que o dissesse
o quanto ele o amava. E finalmente, com um único golpe,
ele cortou-me a cabeça com sua espada, com a lâmina nova e polida. Alexander não acreditava no que ouvia de sua mãe,
mas não fez mais perguntas, apenas continuou a ouvir.
- Eu pude
sentir a lâmina passando por meu pescoço,
mas não havia dor. Eu então dormi, e por um longo
tempo eu descansei. Acordei aqui, no chão,
com uma das mulheres do artezanato me chamando, e perguntando o
que havia acontecido. Eu não sabia. Sequer sabia onde estava.
Levantei-me mas não
pude andar bem. Fui carregada para uma das casa e dormi, e acordei
ainda sem poder me equilibrar
sobre meus pés, e não falava coordenadamente. Era
como se eu não tivesse falado ou andado por um longo tempo.
- Naquela noite eu já estava melhor, podia falar e andar
com mais firmeza. Então perguntei o que aconteceu para uma
das mulheres que cuidava de mim, e ela me respondeu: "Encontramos
você sobre
a areia da praia, dormindo. De onde veio tu? Viestes de alguma embarcação?",
e eu
disse: "Conheces Irian, meu marido?", e ela me respondeu: "Não,
nunca ouvi falar deste.".
- Eu sabia o que havia acontecido, e sabia o que deveria fazer, e quando
fazer.
Saí pela porta na manhã seguinte, e a cidade estava em paz, e
a paz era constante, e não havia mais muros ao redor da cidade. Apenas
um pedaço do muro foi mantido como memorial. Fui até este memorial,
e lí, e não pude tirar meus olhos do que estava escrito.
Alguns meses depois você nasceu. Alexander, filho de Lian e Irian.
- Meu
filho, tu já lestes o memorial?
- Sim mãe, várias vezes.
- Filho, o Alexander que cita o memorial és tu.
Alexander
fica sem palavras, e espera que sua mãe prossiga.
- Alexander,
o soldado que veio a seu quarto esta noite era seu pai. Será amanhã
a noite a celebração, do aniversário da vitória sobre
o exército do norte.
Algo então
fez sentido para Alexander. Então
ele disse:
- Vamos procurar meu pai.
E os dois
partiram pela cidade, de porta em porta, até que
o encontram com uma das famílias da cidade. Alexander chama seu
pai que dorme na cama, e seu pai abre seus olhos, e o vê, e o
abraça
com muita alegria.
Alexander
e seu pai então conversam por horas, até o meio-dia.
Sabendo de seus deveres, Irian pede à Alexander
que lhe dê a mão e o ajude a caminhar, e
o diz:
- Vamos, já
é a hora.
E foram os
três, Alexander, Irian, e Lian pela mesma estrada que leva
ao sul, à praia. E Irian então
pediu que o ajudassem a virar a pedra que havia em baixo da árvore.
E ao virar, lá estava
sua espada.
Então,
Alexander prostrou-se de frente ao seu pai, que tomou sua espada
e a levantou. Mas desta vêz não haviam
lágrimas seus olhos, nem medo no peito de Alexander,
e nem tristeza no coração de Lian. E ele diz: "Lembra-te
do memorial, quanto fostes cumprir o que tens de cumprir. Nós
te amamos, meu filho.". E então, seu pai corta-lhe
a cabeça com a espada, com a lâmina velha e enferrujada; e Alexander
some de frente de seus olhos. Ao atravessar o pescoço de Alexander,
a espada quebra-se em dois, e parte da lâmina cai sobre a areia,
mas não
há sangue
nem pela areia, nem pela lâmina. Irian olha para sua esposa e diz: "Está feito.".
E ele joga a outra metade da espada sobre
a areia, e os dois retornam para casa.
Alexander
acorda na praia, com um soldado lhe carregando para casa. Alexander
olha para o soldado, e ele o diz: "Bem vindo, Alexander.
Aguardava-o anciosamente.".
Alexander então volta a dormir.
Pela manhã, ele acorda com sons de batalha, e gritos de batalha.
E assim que abre os olhos, o comandante o comprimenta
e diz: "Seu pai era um homem de muita sabedoria.".
Alexander então lembrou dos ensinamentos de sua mãe, e compreendeu
o que havia de ser feito. E sabendo que o tempo era curto, senta-se, e
olha para
o lado,
pega
um papel
e uma
pena,
e escreve.
Então
diz ao comandante: "Traga-me tudo isso.". O comandante pega a
lista e corre para fora, e passa instruções aos seus oficiais,
que saem com seus soldados.
Mais tarde Alexander já podia equilibrar-se sobre seus
pés, e falar com firmeza. Ele então sai da casa, e
a batalha havia-se acalmado, e o exercito inimigo retirou-se por
algumas
horas.
Ele então conversa com o comandante:
- Há vinte anos estão
em guerra?
- Sim, será vinte anos amanhã.
- Mas como pode? Nunca o inimigo passa pelo muro? Ou consegue derruba-lo?
- As batalhas não extendem-se todos os dias e todas as noites.
Houve muitos anos de paz. O inimigo retorna ao norte e
volta cada vez mais forte. Nestes anos fazemos defezas,
e reforçamos o muro, sempre com a esperança de que
o inimigo não
retorne.
Mas sempre retorna. Houve um período de oito anos onde achamos
que não os veriamos mais. E após oito anos
a guerra recomeçou. Agora, eles vieram em grandissimo número.
Homens e mulheres, e seus filhos, e seus animais. Pois nada mais
pode-se plantar ou colher em sua cidade; a terra foi destruída
e o gado morto. Nossas defesas estão fracas e nosso povo
exausto. Não
poderemos suportar o ataque que nos aguarda.
- Mas, pois, o inimigo não entra? Nem pelo mar, ou pelas montanhas?
- Houve alguns que vieram pelo sul, e por barcos na praia. Mas
estes vieram em menor número, e vieram sem liderança. As torres
ao sul os avistaram, e estávamos prontos quando desceram à praia.
Então
chega os oficiais com seus soldados, com cavalos carregando os
materiais. E Alexander levanta-se e confere os materiais, e diz:
- Vamos. Há muito o que fazer até a
noite.
Eles vão à fábrica
de armas, e sob as ordens de Alexander os materiais são
misturados, e de acordo com suas instruções catapultas
são feitas, e grandes
esferas de madeira são feitas ocas. E as misturas são
colocadas dentro das esferas, e também grandes lanças
de madeira são feitas, e outras misturas
são derramadas dentro das lanças. E durante todo
o dia e toda noite muitas armas foram feitas, e todo o material
foi usado. Até que
de madrugada, algumas horas antes do sol nascer, vem um dos
oficiais ao comandante e diz: "Esta é a
hora.".
As catapultas são levadas para perto do muro, e o exército
inimigo marcha em direção a cidade. E são
milhares de soldados, e vestiam armaduras de metal. E todos na
cidade se enchem de medo, mas o comandante ordena que ninguem atire
uma
flexa.
Todas as catapultas estavam prontas, e as catapultas que lançavam
as grandes lanças estavam prontas.
O comandante do exército inimigo dá seu grito de guerra, e
todos seus soldados correm em direção ao muro; e flexas são
atiradas contra os arqueiros sobre o muro, e homens carregando uma grande
tora vém para derrubar o portão, e homens com machados vém
para cortá-lo.
Então, o comandante olha para Alexander, e Alexander aponta para as
primeiras catapultas e comanda que atirem. E as catapultas atiram suas cargas,
e ao atingir o chão as cargas
rompem-se e espalham sua mistura pelo chão e pelos soldados, por uma
grande area. Então o comandante diz aos arqueiros que lancem suas
flexas; e os arqueiros apontam para o ar e atiram suas flexas incandecentes.
E ao cairem,
o chão entra em chamas, levando consigo muitos dos soldados. E dezenas
de catapultas atiram suas cargas, e mais flexas incandecentes são
atiradas. E o exército inimigo perde metade de seus soldados.
A outra metade recua, e fica admirada do que vêem. Alexander e o comandante
então
olham para as grandes lanças, e juntos comandam que atirem. E as
lanças são atiradas, e alcançam a segunda metade do
inimigo, e muitas lanças foram atiradas, e o inimigo foi destruido.
Após
acabado as lanças, os portões da cidade são abertos,
e a infantaria persegue os que fogem. E os arqueiros atiram
nos
que correm para o leste ou para o oeste, e ninguém do exército
inimigo foi polpado.
E a cidade celebra a vitória. Todos alegram-se, e há festa
por todo o dia e por toda a noite.
No dia seguinte, a cidade estava calma. Não havia sons de batalha, ou sons
de martelos pela fábrica de armas. Muitos limpavam suas casas, e outros limpavam
as ruas da cidade, e as ruas pelo muro, e pelo lado de fora do muro. O capitão
então caminha com Alexander, e conta-lhe as histórias
de seu pai, e as histórias da cidade. E os dois vão
pela estrada ao sul, em direção a pedra embaixo da árvore.
E ele conta que seu pai, Irian, pediu para ter sua cabeça
cortada por sua própria espada, e deixou instruções
para que sua espada fosse escondida embaixo desta pedra e jamais retirada.
E disse
que
eu esperasse
por seu filho aqui, na hora exata do dia exato.
Alexander conta ao capitão sobre sua vida tresentos anos
no futuro, e tudo que havia de novo, e como era a cidade de seus filhos,
e dos
filhos
de seus filhos. Conta-lhe como sua mãe insistiu para que ele adquirisse
conhecimento com os sábios da cidade, e com os sábios das cidades
que visitavam, e para que fosse entendido na ciência, pois no passado
tal ciência teria um valor incalculavel.
E disse ao capitão que sequer suspeitou de plano algum,
e que viveu como todos os jovens da cidade.
Alguns meses
depois, Alexander vai até o memorial que estava
sendo escrito, e lembra de seu pai, e de sua mãe. Ele então
dá um papel para um dos homens que escrevia o memorial,
e pede-o que inclua estas palavras ao fim, e seus
significados
escritos no verso.
Alexander, todavia, sentia que ainda havia algo mais a ser feito.
Mas retornou à sua
casa, à casa de seus pais. E viveu na cidade por muitos anos, e alí casou-se.
Já Lian, uma manhã, chama Irian da cama para que vá com
ela ao memorial. E estava escrito no memorial o significado das palavras
que haviam sobre a pedra que Irian
encontrara
na praia. Irian lê, e admira-se do seu significado. E parte
das palavras diziam:
"post tergun ut praesidium", que lê-se: "deixado para que
proteja".
"imperious lex aeterna", que lê-se: "leis eternas de grande
força".
"obsto maleficus genus hominum", que lê-se: "contra a má raça
humana".
E tendo visto isso, Irian sentiu medo, pois leu palavras de grande sabedoria
e não as compreendeu. Ele então toma sua esposa e vai de encontro
aos sábios
das cidades, e os conta sobre a pedra, e sobre as escrituras na pedra, mas
nenhum compreende.
Tendo eles então viajado ao oriente, foram ter com outros sábios,
e nenhum trouxe-lhes entendimento. E viajaram ao ocidente, e foram ter com
homens de ciência, mas nada foi-lhes
exclarecido. E não
havia um sábio que compreendesse o propósito das escrituras, ou que
soubesse da existência
da pedra.
Alguns meses se passaram. E durante uma noite, Irian teve um sonho. E
seu sonho era uma visão. Irian acorda de manhã e chama Lian, e conta-lhe
seu sonho:
-
Tive esta visão durante a noite. E vi uma cidade em meu
sonho, e não
havia ninguem na cidade, nem pelas ruas, nem dentro das casas.
Então,
uma grande criatura como um pássaro voava sobre a cidade. E assistindo
a criatura voar, olhei para o lado, e havia um ancião em pé a
minha esquerda, que me disse: "Venha,
te levarei aos outros.". Segui-o para dentro da cidade, e
para dentro do templo no centro da cidade. E lá estavam oito nobres,
entre homens e mulheres, cada um de uma região da terra.
O primeiro, um curandeiro; e por suas mãos eram curados os enfermos.
O segundo vestia-se com uma cabeça de pássaro e reinava
sobre seu povo com braço de ferro. O terceiro era uma mulher que
abrigava em sua casa os perseguidos como uma ave abriga seus filhotes.
O quarto
era um artista,
que inspirava-se de visões e profecias. O quinto
era um pastor de ovelhas. O sexto era um profeta que pregava a
longa vida. O sétimo era um guerreiro, e o inimigo não o
podia ver. O oitavo era um músico, e sua música invocava
a presença dos santos.
E havia um lugar vazio no templo, e o ancião que estava comigo
sentou-se naquele lugar, e botou seu livro sobre a mesa, e o abriu. E no
livro havia o nome
dos outros
oito nobres. E eram seus nomes: Malialéh para o curandeiro, Ramsés
para o que vestia-se com a cabeça de pássaro, Mirian para
a mulher, Aihen para o artista, Iamaréu para o pastor, Graham para
o profeta, Natahé
para o guerreiro, e Datmessis para o músico. E todos deram ouvidos
ao ancião
com o livro, pois ele era sábio. E o ancião disse a Malialéh:
dá a cura aos enfermos. E a Ramsés: dá segurança
aos que temem a morte. E a Mirian: leva os aflitos para longe do perigo.
E a
Aihen:
dá inspiração aos que a buscam. E a Iamaréu:
ensina a pastorar aos que a tí vem. E a Graham: dê a longa
vida aos que te pedirem. E a Natahé: treine os bons guerreiros.
E a Datmessis: ensine sua música aos que podem tocar.
- E tendo ouvido isso, os oito nobres esperaram.
Mas ninguem havia que guardasse a cidade, e o homem perverso entrou pelos
portões,
e foi até os nobres, e foi atendido. E chamou ele a seus companheiros,
que entraram na cidade, e também foram atendidos. E
os homens perversos não permitiam que os homens de bém entrassem
na cidade, ou que chegassem ao templo. Então, vi o rio ao redor
da cidade se tornar em sangue, e havia ossos pelo chão.
- A
grande criatura como um pássaro veio
mim, e disse-me: "Vém,
te levarei a seu filho.". E meu coração se encheu
de alegria, e subí sobre as costas da criatura, e ela me levou a uma
estrada
de terra, e o disse-me: "Ande por essa estrada, e procure por uma
pedra verde.".
E eu andava, e a criatura andava ao meu lado, até que encontramos
a pedra, ao lado da estrada. E a criatura disse: "Quebra
esta pedra com sua mão.". E quebrei-a com minha mão,
e água
saiu da pedra. E a criatura novamente falou: "Pegue sua espada que
foi quebrada e lave-a nesta água.". E eu a peguei da areia
que havia do outro lado da estrada, e a lavei na água que saiu da pedra,
e a espada foi renovada, e não
mais estava quebrada. Então,
a criatura abaixou-se para eu subisse em suas costas,
e eu subi, e ela me levou devolta a cidade. E a cidade estava em paz,
e não
mais havia ossos pelo chão, e a água do rio estava limpa.
Então
a criatura me disse: "Sai da cidade e voltes para onde veio.".
E fui-me indo, mas a criatura tomou a espada de minha mão, e voou para
o sul com ela.
Lian não compreendeu a visão de Irian, mas ele a explicou.
E fez-se entendimento em sua cabeça, e seu coração encheu-se de paz. Ela então levanta e pega
suas coisas e diz a Irian: "Sabes
o que deves fazer?". Irian responde: "Sim. Vamos pois.".
E os dois retornam a sua cidade.
Chegando a cidade, eles vão à areia do mar, ao sul. Irian
cava sobre a areia onde havia deixado sua espada, e a encontra. E a espada
estava renovada, e não estava mais quebrada. Eles então se abraçam
forte, e Irian toma sua espada com sua mão direita,
e aponta-a contra as costas de Lian, por tráz de seu coração.
Então
segura a espada também com a mão esquerda, e puxa-a contra
Lian, e contra seu próprio peito. E os dois acordam
naquela praia, a tresentos anos atrás. E alí dormem durante
a noite, e durante a manhã do dia seguinte.
Então, naquela tarde, eles levantam-se e vão para sua casa,
para a casa de seu filho Alexander. E Alexander muito se alegra em os
ver,
e
os abraça,
e os apresenta sua esposa.
E os quatro reunem-se durante a noite, e Irian conta seu
sonho, e conta-lhes sobre a espada. E fez-se entendimento em suas cabeças,
pois as palavras de Irian eram palavras de um sábio. E por muito tempo
conversaram, e assumiram o compromisso de guardar a cidade,
e proteger
os nobres que habitavam
o templo. E decidiram tornar duro o trabalho dos que os buscam,
e três vezes fariam pingar o suor do corpo dos que anseiam ser atendidos.
E saem então, Alexander e sua esposa para o ocidente, Irian
e Lian para o oriente, para fora da cidade, e nunca mais foram vistos.
Mas os que os buscam os acharão, e os que anseiam pelo entendimento serão
atendidos. Pois a cidade está aberta, e suas portas estão pelas águas.
Mas o caminho ao templo é escondido, e poucos são os que o vêem, e o
seguem.
Fim.
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